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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sustentabilidade da Floresta Nativa

Um presidente de sindicato de madeireiros do Estado do Amazonas disse e repetiu em encontro promovido pela WWF em Manaus que “da floresta amazônica se aproveitam apenas 5%, o resto é lixo”. Uma visão inversa nos levará ao que deveras poderíamos denominar de sustentabilidade da floresta amazônica. Ou seja, da floresta amazônica aproveitamos 95%, o resto é madeira. Por que quando um árvore da floresta deu tudo o que tinha a dar em morrendo nos oferece ainda a madeira.

Os principais valores de sustentabilidade que a floresta amazônica oferece, estão fora da área madeireira. Infelizmente, quem sustenta esta tese não tem acesso às discussões que decidem sobre a exploração sustentável da floresta. Para governo e madeireiro cadê o valor do néctar, do cipó, da copa das árvores, dos frutos que as copas oferecem para homens e animais? Cadê a garantia das fontes de água e o alimento dos animais da floresta? Cadê os óleos, as essências? Cadê a fonte maior e inesgotável de pesquisa nossa e das gerações vindouras sem as florestas e, finalmente, cadê a possibilidade de regeneração da biomassa por sobre a mãe-terra garantida somente com a floresta preservada?

Aqui somos apenas administradores da floresta nativa. E 95% da área que administramos é floresta nativa. Desde o início tivemos apreocupação de preservá-la e também investir nela para o nosso sustento. Primeiro coletamos os seus frutos, onde constatamos, de modo especial, o valor da coleta da castanha-da-amazônia. Mas a partir do momento em que começamos a investir nas copas das árvores, através da criação de abelhas, descobrimos o valor da biodiversidade existente na floresta nativa. Logo ela se tornou o carro-chefe de nossa experiência, tanto do ponto de vista financeiro, quanto na perspectiva de sua permanente sustentabilidade. As abelhas fazem a polinização das árvores e trazem mel, pólen, cera, e própolis para as colméias, deixando para trás enorme variedade de frutas que cairão a seu tempo, alimentando a vida animal, humana e vegetal. Da floresta vem a madeira e a palha, matéria prima para o abrigo de homens e animais, as águas puras para pessoas, animais e plantas e as sementes que renovam a biodiversidade.

Alguns alimentos da floresta que administramos são: mel, própolis, cera, pólen, castanha da Amazônia, açaí-jussara, bacaba, patauá, uchi, piquiá, buriti, abiu, bacuri, tucumã...; carnes: paca, cutia, quexada, caitetu, anta, capivara, jabuti, macaco...; Peixes: piranha, matrinchã, cará... Plantas medicinais: amapá, carapanaúba, saracura, andiroba, cumaru, sucuúba, abuta, jatobá... Jamais haverá sustentabilidade da floresta amazônica sob a ótica de madeireiros.


Presidente Figueiredo, 08 de abril de 2011.


Egydio Schwade

5 comentários:

  1. Estive no Japão no ano de 2010 e precisei comprar um antibiótico mas como se lá não se pode comprar remédios fármacos sem receita médica. Procurei própolis que tem a propriedade antibiótica excepcional. Custou me cerca de R$ 200,00 um vidrinho com 180 drágeas de 510 mg. Caríssimo! Veja portanto o valor dos produtos da natureza.

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  2. Exatamente o que penso também, acho que esse texto expõe de forma muito plena o raciocínio que falta aqueles que olham para a floresta como fonte de renda. Apesar de que quem de fato está integrado a floresta consciente ou inconscientemete já sabe disso, mas o capital cega para a unilateralidade e impede de ver a gama de possibilidades que a floresta apresenta, parabéns pelo texto, assino embaixo de todas as letras!

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  3. A afirmação do presidente de sindicato de madeireiros é a típica de qualquer indivíduo totalmente desvinculado moralmente com o mundo a sua volta, ou seja, não consegue mais valorizar o mundo natural numa relação de empatia. Contata-se aí uma moral totalmente capitalista, pela qual o mundo natural só nutri valor por aquilo que pode produzir de maneira brusca, bárbara e decadente.

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  4. Só passamos a valorizar o que temos, quando não possuímos mais! principalmente quando nos é retirado de maneira tão brutal.
    Moro atualmente na Holanda, e apesar de tudo aqui ser belo e maravilhoso nada para mim substitui o meu país e quando se trata de floresta ahhh não existe nada realmente ao meu ponto de vista que se compare a exuberância da floresta Amazônica. Essa semana fiz um passeio em um típico parque da cidade de Wageningen, é bonito? é, diferente? é.. quase nao existe diversidade em flora e nem fauna, passei horas passeando por uma trilha que parecia não ter fim...então disse a um amigo ao lado cara que saco isso aqui! (desculpe pela expressão)mais se esse passeio fosse na floresta amazônica isso seria uma aventura e tanto! a começar pela suadeira, "o caboco ia tomar um banho de suar que ia dá dó" o perigo de encontrar com cobras, observar pássaros, bromélias, passar por igarapés e se saciar com a agua gelada dos riachos... entre tantos outros... meu Deus que saudade bateu dessa região! se antes eu já amava agora mais ainda! Estou distante..., mais espera me o idolatrada e amada Amazônia, pois estou aqui falando bem de ti e mostrando a quem quer te conhecer o tanto que és linda bela e o tanto que deves ser bem tratada!
    Abraço a todos aqueles que se consideram guardiões da Amazônica.

    Angela Maria Viana Azevedo

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  5. Sua família sempre foi dez. A luta pela Amazônia é um dever de todos os brasileiros, infelizmente de todos, poucos se escolhem ou são escolhidos pela natureza para defende-la. Os escolhidos passam a ser como as árvores e os animais da floresta,a, sociedade não enxerga sua luta, apenas veem árvores balançando e pássaros cantando. Enquanto houver árvores balançando e pássaros cantando ainda haverá vida.

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