2000 Waimiri-Atroari Desaparecidos Durante a Ditadura Militar

Que vivam os Povos Indígenas do Brasil! Que vivam Bem!

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

"Num cantinho do SUS!"

Maiká e Luiz Augusto presenciaram as últimas batidas do coração de sua mãe, minha querida esposa Doroti. Cheguei logo em seguida ao Hospital João Lucio em Manaus. Os meninos me abraçaram e um deles me disse: “Papai, mamãe morreu como sempre quis. Em um cantinho do SUS”. Doroti teve um AVC no amanhecer do dia 02 de dezembro de 2010 aqui casa em Presidente Figueiredo, quando se preparava, em clima de festa, para ir a Manaus providenciar os últimos detalhes do casamento de Maiká e Michéli e comprar seus novos óculos. Levada imediatamente ao hospital local foi logo encaminhada para o Hospital João Lúcio em Manaus. Como o seu caso foi considerado irreversível, não a transferiram mais para a UTI, mas foi mantida no Pronto Socorro, onde a família teria acesso limitado até a última batida do seu coração. Só no fim da tarde do dia seguinte, por insistência de amigos foi transferida para fora do Pronto Socorro, no cantinho de um salão coletivo, onde alguém da família pode marcar presença permanente. Não demorou mais de meia hora ali quando faleceu.
Doroti foi uma das iniciadoras da luta pelo SUS no país. Como indigenista do CIMI participou das três primeiras Conferências Nacionais de Saúde, após a ditadura militar, onde a sua voz se levantou, insistente e vigorosa, em favor da criação de um sistema único de saúde, o que viria a favorecer principalmente os mais pobres.
Em sua vida nunca aceitou tratamento via privilégios. No último ano teve sérios problemas de visão. Sintoma mais forte de que algo não estava em ordem no seu organismo. Em junho procurou, através dos trâmites normais, o médico do posto de saúde do bairro. Este a encaminhou ao oftalmologista da Prefeitura de Presidente Figueiredo, pago pelo SUS, onde a encarregada do agendamento adiou a sua consulta para o mês seguinte. No mês seguinte seguiu os mesmos trâmites e mais uma vez a consulta foi adiada para o próximo mês. O mesmo ocorreu até outubro, quando desanimada, não quis mais se consultar aqui. Neste momento eu interferi e a acompanhei. Aproveitaria para fazer minha consulta também, pois há mais de cinco anos não havia feito. No novo encaminhamento o médico do posto sublinhou duas vezes “com urgência”. Mas, chegando ao centro de atendimento, a secretária de agendamento novamente nos disse que só poderia ser atendida em dezembro. Ante a minha insistência sobre o encaminhamento “com urgência ” do médico do nosso posto, a atendente nos disse: “Então vão ao hospital e falem com seu Gilson!” – mostrando claramente que existia um esquema 2 de encaminhamento, oculto ao comum dos mortais. De fato, embora Doroti não quisesse, dirigi-me ao hospital onde procurei o Sr. Gilson. Mostrei-lhe o encaminhamento médico, ao que ele me respondeu: “Na próxima semana o Doutor não vem, mas na segunda semana de novembro estará”. E me solicitou que lhe ligasse um dia antes de sua vinda para ele fazer o agendamento. Foi o que fiz. Doroti se apresentou na hora marcada, mas não foi atendida porque o oftalmologista não compareceu ao trabalho. A consulta foi então adiada para a última semana do mês, quando, finalmente, foi atendida. Já era tarde, o AVC a vitimou na manhã em que iria a Manaus corrigir os seus problemas de visão.
A minha consulta estava agendada para o dia em que aconteceu o AVC de Doroti. Obviamente não compareci. Durante o velório de Doroti o Sr. Gilson procurou, espontaneamente a família para remarcar a minha consulta, atitude totalmente diferente da que foi utilizada com minha esposa Doroti, durante meio ano. Na oportunidade do meu atendimento constatei e me foi confirmado por outro favorecido que um esquema 2 de agendamento, desconhecido até pelo médico do bairro, prioriza “clientes especiais”. Havia ali vereador, empresário, irmão do agendador 2, chefe de gabinete de vereador, todos agendados pelo Sr. Gilson e não pela pessoa encarregada no centro de atendimento a qual sequer marcou presença no local das consultas.
Problemas e impasses atuais do SUS!

Casa da Cultura do Urubuí/ Presidente Figueiredo/ 26-01-11
Egydio Schwade

Escolarização e Educação no Interior do Amazonas


Cada dia mais se confunde educação com escolarização, dois termos diferentes que nem sempre caminham juntos, embora devessem. No interior do Estado do Amazonas eles estão cada dia mais distantes.

A educação, como transmissão de conhecimentos úteis para a promoção do bem estar social e individual, deve estar contextualizada; precisa estar profundamente enraizada na realidade em que acontece. Seus enlaces devem ser estabelecidos com a cultura local, com os desejos individuais, com os anseios coletivos, com o ambiente e o meio ambiente que a envolve.

A escola que se posiciona de costas para a realidade onde se insere não educa; ou, mais do que educa, cria angustias, revoltas, traumas, vergonhas, e muitos outros sentimentos e sensações ruins que não contribuem com o bem estar individual e muito menos social.

O triste é que muitos governos, e em especial o Governo do Estado do Amazonas, não consegue perceber isso. E agora, deslumbrado com as tecnologias da informática (informática não é o mesmo que informação), pensa que basta por um professor (talvez o temo mais correto seria informador) em um estúdio em Manaus e um computador ligado a internet em cada um dos confins da floresta e tudo se resolve. Pode este tipo de escolarização promover a educação??

OBS.: O texto postado abaixo (“Ensino à Distancia”) foi escrito por um estudante que estudou uma temporada no sistema tecnológico e trás um pouco de suas impressões.

Adu Schwade

Ensino à Distância

O projeto do Governo do Estado do Amazonas de Ensino à distância com mediação tecnológica é bem intencionado, tem aulas bem preparadas, traz novas oportunidades, porém não agrada aos jovens.

É sabido que as pessoas de pequenas comunidades encontram dificuldades para estudar devido à dependência e dificuldades de transportes. Foi como forma de contornar essa situação que o Governo do Estado do Amazonas adotou o modelo de ensino a distancia mediado por tecnologia.

Como as aulas do sistema são bem preparadas, se tratando do conteúdo informativo, as informações chegam aos receptores, por meio de video-aulas. Em vista disso, é apresentado aos alunos um conteúdo bastante rico, mas os jovens não conseguiram se adaptar ao sistema.

Um dos motivos é por se tratar de uma ''TV" cheia de informações importantíssimas, porém sem relação ou afinidade com os alunos. Além disso, chegam de forma rápida, o que acaba por confundir os receptores. Os alunos queixam-se , por exemplo, de que devem escolher entre prestar atenção na aula ou copiar as dados repassados. Assim, muitos acabam por não compreender bem o assunto. Em muitos momentos escuta-se dizerem, sem delongas, que não entenderam nada!

Um dos fatores indispensáveis para a educação de qualidade é a relação aluno/professor e o domínio do conteúdo. Pois tendo confiança no professor, o aluno tímido se expressa e se expõe mais, uma vez que o incentivo do professor serve como ponto de referencia para o aluno. No sistema tecnológico, um professor presencial é responsável pela turma. Não dominando todas as dez disciplinas ministradas, ele raramente tirará as dúvidas da classe, que por sua vez são freqüentemente deixadas pelo professor ministrante.

Enfim, o projeto é proveitoso, precisa ser aperfeiçoado, traz novas oportunidades para os alunos necessitados, mas para os jovens é totalmente necessário o contacto com o professor ''de lousa'' que passa a ser seu amigo e seu mestre.

Walber Yuri Santos de Souza

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Noticias Sobre os Povos Indígenas no Brasil

Para quem deseja ter noticias sobre as lutas dos povos indígenas no Brasil, pode acessar o site do Conselho Indigenista Missionário – CIMI - http://www.cimi.org.br/ . Esta semana os principais destaques são sobre Belo Monte e sobre o Novo Código Florestal. O CIMI também publica O Jornal Porantim com edições periódicas.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Foguetes (sem)Vergonha e o Festival do Tira e Põe

Escutam-se foguetes na cidade de Presidente Figueiredo desde a sexta-feira, 15 de janeiro, quando foi cassado o prefeito Fernando Vieira por crime de abuso do poder econômico e compra de voto. Não foi a primeira vez que Fernando teve o mandato casado por crime eleitoral. Os primeiros foguetes que se ouviu foram de partidários de Romeiro Mendonça, segundo colocado nas eleições e quem deveria assumir. Romeiro é o mesmo que foi preso na “Operação Albatroz”, deflagrada pela policia federal a cerca de seis anos atrás. Romeiro e seus comparsas desviaram milhões dos cofres do município e mesmo assim foi logo libertado e novamente se candidatou ao cargo de prefeito de Presidente Figueiredo, tendo ficado em segundo lugar nas últimas eleições. Lembro-me que logo após ter sido solto e saído da prefeitura, o comentário que corria na cidade era de que Romeiro teria ganhado de consolação um bom cargo do então governador Eduardo Braga. Pode-se até desconfiar que Braga queria aproveitar sua experiência em desviar verbas públicas. Portanto, estes primeiros foguetes eram pela indicação de trocar o “sujo pelo muito mal lavado”.

Na segundo os foguetes já eram pela liminar que reconduz Fernando a Prefeitura. Portanto pela decisão de mais uma vez, como é praxe no município e no Estado, relevar os crimes de corrupção eleitoral para continuar com as demais categorias de corrupção.

O Judiciário garante a festa! Fala-se, e não a bocas pequenas, mas em alto e bom som, que cada uma das decisões custa entorno de R$ 200.000,00 a R$ 300.000,00. “Pobrezinho dos funcionários do judiciário, ganham tão pouquinho que precisam ficar brincado de decidir a vida do povo num tira e põe de prefeitos!!!”. No Amazonas, se não me engano, quase um terço dos municípios estão nesta brincadeira de “tira e põe”.

É uma vergonha, mas tem que ser dito, não é mais o Boi Bumba nem o Forro, o que agita a galera é o tira e põe. E o animador e o Judiciário.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Investir na copa das árvores é o mais sustentável


Desde 1997 a nossa família vem investindo em diversas espécies de abelhas melíferas e fazendo a estatística da produção de mel de abelhas na região Norte do Estado do Amazonas, mais precisamente no município de Presidente Figueiredo que está localizado as margens da BR-174, entre Manaus e Roraima.
A estatística de colméias localizadas em 6 micro-sistemas (igarapé da Onça, igarapé Ararinha, Igarapé Canastra, Igarapé dos Veados, rio Urubu e Caverna do Maroaga), áreas com cerca de 90% de floresta nativa, vem comprovando que o melhor investimento para a Amazônia é nas copas de árvores, cipós e capoeiras.
A produção de mel, cera, própolis, pólen, ou seja, dos produtos das abelhas nos sinalizam para isto. O investimento nas diversas espécies de abelhas da região:
· garante e enriquece a biodiversidade da mata;
· produz saúde para as populações regionais e economiza muitos gastos em farmácia;
· poliniza a floresta, aumentando a sua produção em frutas, garantindo alimento variado e natural para os animais silvestres;
· garante águas limpas e possibilita alimento aos peixes dos igarapés e dos rios;
· amplia o futuro da mãe-terra e consequentemente da humanidade.

Como conseqüência os agricultores são estimulados, a exemplo dos povos indígenas, a dedicarem-se, no enriquecimento de capoeiras, transformando-as em “florestas de alimentos”.
Alguns dos resultados finais são que:

· os agricultores passam a abastecer a sua mesa enriquecendo-a cada ano em número e espécie, de frutos, tanto nativos com exóticos: tubérculos, frutas, legumes e plantas medicinais, ao invés de importar frutas e batatas contaminadas com agrotóxicos;
· garantem o solo, visto que nos climas tropicais úmidos é através da reciclagem da biomassa que ele se abastece da reserva de nutrientes;
· aproximam os animais silvestres, garantindo proteína animal sem o esforço irracional que hoje desperdiça em dias e noites de perseguição aos últimos espécimes da caça nativa, quase sempre com alto risco a sua saúde.
· E finalmente produz excedentes de espécies diferentes que podem ser comercializados, tais como: mel, frutas, polpas, tubérculos e outros.

Casa da Cultura do Urubuí, 16 de janeiro de 2011,

Egydio Schwade

sábado, 8 de janeiro de 2011

Esperanças pela União de Ideais...

Acredito que hoje seja um dia muito importante na vida de Maiká e Michéli, mas também o é no cenário de lutas e desafios na Amazônia. Hoje se juntam dois jovens de belíssimos ideais e muita vontade de fazer diferença. Se formalizam os laços de união entre duas famílias há muito unidas pelas lutas, pela amizade e pelo compartilhamento de convicções...
Publico esse mensagem nesse espaço, fazendo-o por todos aqueles de longe não podem abraçar e olhar nos olhos dos noivos desejando-lhes uma vida longa e feliz, com os filhos que Deus mandar e as alegrias que a vida há de reservar-lhes.
Que a firmeza nas lutas e nas ideias não esmoreça ante os desafios e que o tempo torne sempre mais prazerosa a companhia de um ao outro. Que vossos talentos cresçam e sejam reconhecidos no meio politico, cultural, social e ambiental no qual se inserem , e que assim como vossos pais sejam exemplos de casal, pais, esposos e amigos...
Um grande abraço Michéli e Maiká que as sementes que assumem uma simbologia especial no seio de vossa família simbolizem o nascer dessa vida que escolheram, que essas sementes encontrem terra boa no terreno de vosso casamento e floresçam jatobás, ipês, angelins, cedros e cedroranas, amapás e abius, cubius e genipapos. Que haja fartura de alimento, de amor e de vida plena a vocês e a todos aqueles que de vocês se aproximarem...

Grande abraço, vida longa e feliz...
André Rech